SINDSERH-MS lança a Campanha Agosto Lilás em defesa das mulheres
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SINDSERH-MS lança a Campanha Agosto Lilás em defesa das mulheres

06/08/2026 6 min de leitura 19

Neste mês, o SINDSERH-MS dá início à Campanha Agosto Lilás, mês dedicado ao combate e à conscientização pelo fim da violência doméstica, familiar e psicológica contra a mulher.

Neste mês, o SINDSERH-MS dá início à Campanha Agosto Lilás, mês dedicado ao combate e à conscientização pelo fim da violência doméstica, familiar e psicológica contra a mulher.

A iniciativa tem como objetivo ampliar o debate sobre a importância da prevenção, do acolhimento às vítimas e do enfrentamento de todas as formas de violência, reforçando que a informação e a conscientização são ferramentas fundamentais para romper o ciclo da violência.

Como parte da campanha, o sindicato realizou uma entrevista com a empregada pública Simone de Moraes Lopes - Dourados/MS - HU/UFGD, que compartilhará sua história de superação após vivenciar uma situação de violência. Seu relato busca inspirar outras mulheres a reconhecerem os sinais da violência, procurarem apoio e compreenderem que não estão sozinhas.

Ao longo do mês de agosto, o SINDSERH-MS promoverá ações de conscientização para fortalecer a rede de apoio às mulheres e incentivar uma cultura de respeito, igualdade e proteção.

Violência contra a mulher não é assunto privado. É uma questão de direitos humanos e responsabilidade de toda a sociedade.

"Denunciar foi a decisão mais importante da minha vida", afirma empregada pública que sobreviveu à violência doméstica

Em apoio à Campanha Agosto Lilás, o SINDSERH-MS conversa com a empregada pública Simone de Moraes Lopes, de Dourados, que compartilha sua história para alertar outras mulheres sobre os sinais da violência e a importância de denunciar.


SINDSERH-MS – Simone, conte um pouco sobre você.

Simone: Tenho 44 anos, sou bióloga formada pela UFMS, também fiz curso de auxiliar de laboratório e trabalho no Hospital Universitário desde 2009. Em 2011 assumi como servidora pública pelo Regime Jurídico Único. Hoje sou casada, tenho dois filhos, Benjamin e Betina, e construí uma família baseada no respeito e no diálogo.


SINDSERH-MS – Quando você percebeu que estava vivendo um relacionamento abusivo?

Simone: No início eu não percebia. Nós nos conhecemos pela internet e ele nunca demonstrou ser agressivo. Aos poucos começaram a aparecer comportamentos preocupantes: desaparecia por dias, mentia, pedia dinheiro, controlava o que eu comia, fazia comentários sobre meu corpo e sempre culpava outras pessoas pelos próprios problemas. Hoje entendo que aquilo já era violência psicológica.


SINDSERH-MS – Como aconteceu a agressão física?

Simone: Estávamos em Bonito durante o Festival de Inverno. Ele passou o dia bebendo e, durante a madrugada, voltou completamente embriagado para o hotel. Invadiu o quarto, me puxou pelos cabelos, me jogou na cama, me agrediu fisicamente e chegou a apertar meu pescoço para impedir que eu saísse. Só consegui escapar porque uma hóspede ouviu meus gritos e me retirou das mãos dele.


SINDSERH-MS – O que aconteceu depois da agressão?

Simone: Fui ao hospital, fiz exame de corpo de delito e procurei a polícia. Infelizmente, meu primeiro atendimento foi muito ruim. Sofri deboche e fui desencorajada a registrar a ocorrência. Mesmo assim, não desisti. Quando voltei à minha cidade, registrei o boletim de ocorrência e solicitei medida protetiva.


SINDSERH-MS – Você recebeu apoio da família?

Simone: Sim, e isso fez toda a diferença. Meus pais me acolheram sem questionamentos. Eu tinha para onde voltar, tinha apoio emocional e segurança. Muitas mulheres permanecem em relacionamentos violentos porque não têm essa rede de apoio ou dependem financeiramente do agressor.


SINDSERH-MS – Como foi enfrentar o processo judicial?

Simone: Foi muito difícil. Além da violência física, enfrentei mentiras, exposição nas redes sociais e tentativas de intimidação. O processo demorou cerca de cinco anos para ser concluído. Apesar da condenação, a punição foi pequena. Mesmo assim, nunca me arrependi de denunciar.


SINDSERH-MS – Quais foram as maiores dificuldades nesse período?

Simone: Além da agressão, o que mais me marcou foi perceber o despreparo de alguns órgãos para acolher as vítimas. O atendimento inadequado acaba desestimulando muitas mulheres a seguirem com a denúncia. Também foi muito doloroso contar ao meu pai tudo o que havia acontecido.


SINDSERH-MS – Como foi reconstruir sua vida?

Simone: Levei cerca de dois anos para voltar a confiar em alguém. Hoje sou casada com uma pessoa completamente diferente. Vivo um relacionamento saudável, tranquilo e respeitoso. Descobri que amor de verdade não machuca, não controla e não humilha.


SINDSERH-MS – Ainda existem marcas desse período?

Simone: Sim. Alguns casos de violência ainda despertam gatilhos. Dependendo da notícia que vejo, lembro de tudo o que vivi. Mas também sei que consegui superar porque tive apoio e porque denunciei.


SINDSERH-MS – Hoje, olhando para trás, quais sinais você acredita que não devem ser ignorados?

Simone: A violência não começa com um tapa. Ela começa quando alguém controla suas roupas, critica seu corpo, regula o que você come, faz humilhações, ofensas e tenta diminuir sua autoestima. Se eu tivesse identificado esses sinais antes, teria encerrado o relacionamento muito mais cedo.


SINDSERH-MS – Qual conselho você deixa para outras mulheres?

Simone: Investiguem quem está ao lado de vocês. Não ignorem os primeiros sinais de violência psicológica. Ao primeiro comportamento abusivo, saiam da relação. Não acreditem em promessas de mudança quando existe um histórico de agressão. Denunciar é fundamental. A medida protetiva pode não resolver tudo, mas oferece proteção e pode salvar vidas. Nenhuma mulher deve sentir vergonha de pedir ajuda. A culpa nunca é da vítima.


SINDSERH-MS – Como essa experiência influencia a educação dos seus filhos?

Simone: Tenho um menino e uma menina e procuro ensinar, desde pequenos, o respeito, a igualdade e a valorização das pessoas. Quero que eles saibam que amor nunca pode estar associado à violência e que sempre terão uma família para acolhê-los. Isso fez toda a diferença na minha vida e espero que faça na deles também.

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